Do ponto de vista tecnológico, uma simples folha de papel pode ser considerada como uma das grandes inovações da humanidade. Isso porque durante séculos a evolução do papel tem proporcionado o desenvolvimento de diversas outras tecnologias, como o Origami, por exemplo. Ainda hoje, em plena era digital, podemos observar uma generosa diversidade de papéis, em convergência ou não com uma consciência mais ecológica ou a necessidade de sustentabilidade ambiental.Contudo, entre o risco da escassez do papel e o impacto que sua contínua produção possa nos causar, um desafio talvez ainda maior seja lidar com a abundância de informação por ele desencadeada há séculos atrás e que hoje prossegue em ritmo acelerado, graças agora às recentes tecnologias que nos rodeiam de forma quase onipresente. De acordo com Robert E. Horn, chegará um tempo em que nós não precisaremos de mais informação, mas sim da habilidade para apresentar a informação correta para as pessoas certas, no momento certo e de maneira mais efetiva e eficaz possível.
Interessante perceber que um tsunami de informação também começa a atingir tecnologias de fronteiras na área da saúde como é o caso, inclusive, da Nanotecnologia. Em Janeiro de 2010, durante Conferência Nanotechnology Revolution realizada em Madri pela Fundação Ramón Areces, o atual presidente e CEO do The Methodist Hospital Research Institute, Mauro Ferrari, chamou a atenção sobre a importância de desenvolver e introduzir ferramentas matemáticas e estatísticas (Planejamento Fatorial, Rede Artificial Neuronal, Algoritmos Genéticos, etc.) capazes de processar parâmetros/variáveis cada vez mais numerosos e complexos, característicos dessa área. Geralmente técnicas como essas apresentam um grande potencial principalmente porque reduzem o número de experimentos, economizando tempo, energia, pessoal e materiais. Além disso, permite otimizar produtos ou processos de maneira rápida e simples, sempre usando a mínima quantidade de recursos disponíveis e extraindo o máximo de informações relevantes.
Outro exemplo prático na área da saúde e que está relacionada ao tratamento e a análise de grandes bancos de dados são as experiências realizadas com o sequenciamento genético em busca de terapias personalizadas para o tratamento de doenças graves e com grande impacto social. Esse é o promissor campo da Bioinformática.
Big Data também é outro termo relativamente recente, uma Ciência emergente que promete revolucionar não apenas a área da saúde, mas principalmente áreas como a educação, a econômica e a social. Além disso, em um mundo dominado por uma diversidade de redes sociais interligadas por smartphones que geram bilhões de dados a cada hora que passa, em grande parte graças aos milhares de aplicativos e serviços móveis que estão surgindo, tudo indica que o mercado vai aumentar a procura por profissionais com forte background em física, matemática e estatística, como mostra o gráfico interativo abaixo:
Deep analytical talent: Where are they now?
Como alternativa de curto prazo, poderemos observar o surgimento de cursos de pós-graduação nessas áreas ou uma maior inclusão dessas disciplinas na grade curricular de vários outros cursos. Algumas startups como as brasileiras Scylla Bioinformática, Bytebio e Omnilogic são exemplos que prometem superar expectativas futuras. E nesse maremoto de dados, outras como a Aster Data Systems acabou sendo adquirida pela gigante Teradata no começo do ano passado por US$ 263 milhões.
Para melhor visualizar o impacto prático que essas Ciências podem nos proporcionar futuramente, vale à pena citar aqui um filme interessante que esteve recentemente em cartaz aqui no Brasil, Moneyball (O homem que mudou o jogo), baseado no livro “Moneyball: The art of winning an unfair game.” de Michael Lewis (2004). Resumidamente, esse filme conta a história de um técnico de baseball (Brad Pity) que recebe a ajuda quase milagrosa de um estatístico recém formado (Jonah Hill) para selecionar criteriosamente jogadores sub-valorizados no mercado. No final das contas, apesar de usarem um método bastante contra-intuitivo para os profissionais da época, a dupla dinâmica consegue compor uma planilha de um time campeão em curto espaço de tempo e com um reduzido capital. Abaixo segue o trailer:
Outro exemplo da vida real e bastante curioso foi o caso de Joan R. Ginther, quem desvendou o algoritmo responsável por determinar o envio de bilhetes premiados e conseguiu ganhar 4 vezes na loteria americana. Coincidência ou não, ela é ex-professora de matemática e possui PhD em estatística pela Universidade de Stanford.
Outro dia li um post super interessante com uns resultados preliminares de uma pesquisa realizada por Ponki Yeung: “Why you’re a startup founder: Nature and Nurture”. Ela está investigando sobre as origens e os fatores que, de alguma maneira, são responsáveis pelo caráter empreendedor de alguns fundadores de startups. Entre os parâmetros avaliados estão: a ordem de nascimento, parentes próximos com histórico empresarial, habilidade musical, espírito voluntário, se trabalhava durante a escola, prática de esportes, etc. Vale à pena conferir e acho que ainda é possível participar em uma segunda rodada, onde ela deseja avaliar a influência da ordem de nascimento e de algumas adversidades. Quem sabe ela consegue encontrar um super algoritmo que ajude aos investidores identificar potenciais fundadores ou equipes de sucesso de modo mais preciso? Ou quem sabe possa ajudar com o desafio de criar empreendedores de sucesso em salas de aula?
Quem sabe também o aperfeiçoamento dessas Ciências possa nos ajudar um dia a compreender melhor a nossa relação com o curioso Efeito Borboleta e evitar as periódicas crises econômicas, as trágicas mudanças climáticas ou as súbitas epidemias globais? Em todo caso, se alguém cruzar com a super Layla Miller por aí, não perca a oportunidade de convidá-la para um café ou, quem sabe, como sócia da sua startup! Abraços a todos!
“Todos os modelos estão errados, alguns modelos são úteis.”
- George E. P. Box -
Por: João Fhilype A. Souto-Maior




Muito interessante o texto!Adorei!
Muito legal, Jõao! Tive conversas como essa com meu pai há alguns anos, quando ele me falava da importância da estatística para tratar a imensa quantidade de dados que dispomos hoje em dia. É muito interessante ver que essa tendência nos exemplos dados por você! A única coisa que me preocupa é: mesmo sabendo da sua importância, nunca fui fã de estatística! Rsrs